Enquanto a dor de Jesus não for a sua dor, nada muda.
Eu acredito que Jesus sente a dor das pessoas: a fome, o desespero, a falta, a solidão, o peso do pecado.
E a gente não deveria agir como se não fôssemos parte da solução.
Mas parece que os cristãos não podem nem abrir a boca.
Em qualquer assunto, tudo o que a gente diz é usado contra nós.
Se apontamos o pecado de alguém, é porque estamos julgando.
Se comentamos que alguém está sofrendo, ouvimos que a pessoa mereceu.
Se tentamos ajudar, é porque somos ingênuos. Se não ajudamos, somos omissos.
Eu tenho um amigo de infância que foi parar nas ruas por causa das drogas.
Oro por ele todos os dias e me sinto mal, culpada por não ajudar.
Mas escuto que ele está nas ruas porque quis, porque procurou, porque escolheu. Que ele mereceu o fim que teve.
Imagina se cada um de nós tivesse exatamente o fim que merece diante de Deus. Será que teríamos mais compaixão pelas pessoas?
Já fui muito criticada por tentar ajudar pessoas financeiramente. E perdi muito dinheiro.
Já fui ofendida por dizer a um pecador que sua atitude é pecado, mesmo quando minha intenção era apresentar a salvação e aproximar aquela pessoa de Deus.
É solitário viver num mundo onde cada um corre atrás do seu, mesmo que precise passar por cima do outro.
Seria mais fácil deixar que cada um explodisse em seu próprio caminho.
Mas eu não consigo ser neutra porque o verdadeiro amor diz sempre a verdade, cuida de quem não merece e, às vezes, aceita perder para o outro ganhar.
A gente não pode falar do amor de Deus e, ao mesmo tempo, agir como se a dor das pessoas não fosse da nossa conta. Porque, enquanto a dor de Jesus pelos perdidos não for a sua dor, nada muda.




